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Está pensando que é só homem que compra Playboy?

Esses dias me vi na banca de um aeroporto perguntando pra vendedora se já havia acabado a Playboy com a Scheila Carvalho na capa. Até aí tudo bem, afinal trabalho com produção de ensaios fotográficos sensuais e um dos meus clientes é a revista Playboy. Como não tinha, a menina ligou para a banca que ficava dentro do saguão de embarque, e em tom de voz alta, perguntou para a outra pessoa que estava no telefone se lá havia a Playboy da Scheila, que havia uma moça que queria comprar, mas ali, naquela loja, havia acabado. Havia alguns homens ao redor e que simplesmente pararam o que estavam fazendo para prestar atenção a conversa. Eles me olharam com um jeito estranho, alguns curiosos, afinal não é toda mulher que compra revista masculina de mulheres nuas e sim Elle, Vogue e outras de moda, que também consumo. Outros devem ter achado interessante, pois me olharam com um sorriso meio safado, achando, quem sabe, que eu poderia gostar de mulheres.

Quando cheguei à banca dentro do saguão de embarque, me identifiquei à moça que atendia e ela falou também em voz alta: “Ah, você é moça que veio buscar a Playboy da Scheila Carvalho?”. Foi engraçado, porque também havia homens ao redor, inclusive um deles, meio garoto ainda, sentou depois perto de mim enquanto eu folhava a revista e ele fuçava no seu notebook. De vez em quando, ele me olhava e indiscretamente ficava com uma cara assustada, afinal eu estava olhando precisamente as fotos da revista. Como tinha duas fotos que produzi nesta edição, eu ainda soltei um estridente “oba” quando as vi publicadas. Pronto, olhos esbugalhados surgiram ao meu redor, inclusive de uma senhora que estava sentada do meu lado e já estava cuidando as folhas da minha revista.

Eu estava indo pra casa do meu namorado no Rio de Janeiro. Quando cheguei na casa dele, tirei da minha bolsa a Playboy e a Maxxim para ele e meu cunhado olharem. Meu cunhado, que é muito divertido comentou: “Isso que é namorada, traz a Playboy pro namorado ver”. Sentamos os quatro, a namorada do meu cunhado, que também é ótima juntos para olharmos a mulherada nua. Os comentários mais “sacanas”, digamos, ficaram por minha conta. Os dois ficaram um pouco acanhados no começo, afinal as namoradas estavam do lado e qualquer palavra poderia render um bafafá.

A verdade é que essas situações já viraram habito no meu dia-a-dia. A nudez é meu instrumento de trabalho e a encaro com muita naturalidade. Às vezes ninguém entende como um médico poder comer um sanduíche de rosbife depois de uma cirurgia. Esses tempos eu estava na fila do correio e estava conversando com o fotógrafo com telefone sobre a modelo que fotografamos no outro dia. Eu perguntei como eram os seios dela, se eram pequenos, grandes, que tamanho era o silicone e se havia, perguntei sobre o bumbum, se era redondinho ou achatado, e outros detalhes que deixaram uma menina que devia ter uns 13 anos e estava atrás de mim na fila de queixo caído. Antes de desligar, fiz questão de dizer bem alto que a modelo então era bonita, aliviando assim a conversa para quem estava ao meu redor e no mínimo pensou que eu poderia estar “agenciando” meninas para trabalhinhos sujinhos.

Como convivo com uma equipe onde geralmente as mulheres presentes, sou eu e a modelo, já me acostumei a dizer algumas expressões masculinas. Canso de ver meninas bonitas e com corpos malhados por aí e comentar com as minhas amigas: “Nossa que menina gostosona né!”. As minhas amigas já nem dão mais bola, mas que não convive comigo é lógico que estranha e me olha meio torto.

Eu escrevo uma coluna para o site Bella da Semana, onde faço a produção dos ensaios, também sensuais. Nesta coluna abordo assuntos masculinos, afinal o site é voltado para homens. E aí lá vou eu me meter em pesquisas de charutos, aulas de economia e bolsa de valores, as melhores marcas de relógios, todos os nós de gravata. Pensando com a cabeça no universo masculino. Quando vejo, lá estou eu de novo debatendo quando e como surgiu o boxe no meio dos meus amigos homens e o que quer dizer whisky em gaélico.

Talvez o bom de tudo isso seja entender um pouco da cabeça deles. Saber que na hora de seduzir eles não querem saber de moda, babados, fru-frus. Eles gostam de regata básica, lingeries pretas, brancas e ligas. Saltos sempre finos, nada de sandálias gladiadoras, paletó no estilo boyfriend, detestam a calcinha cor de chocolate e simplesmente amam, de todo coração, nossas camisolas curtíssimas, pretas, ultra sexy e com rendas, que somente eles têm acesso e alem de tudo são muito simples de tirá-las!  

Fotos (fontes)
- Walmor de Oliveira para Bella da Semana e Playboy
- Rodrigo Marini
- Sidney Kair
- Arquivo pessoal
- http://pro.corbis.com

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