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Quem não se comunica... entende tudo errado.

É lugar comum dizer que mulheres gostam de discutir a relação e que os homens abominam tal prática. Isso gera várias piadinhas a respeito, a maioria delas sem a mínima graça, porque faz parecer que conversar sobre a vida a dois é inútil e que é coisa de mulher histérica. A verdade é que poucas mulheres gostam de discutir o relacionamento e ninguém, independente de sexo ou opção sexual, chega diante de seu companheiro (a) e diz “meu bem, precisamos discutir a relação”.

Não é uma missão agradável “discutir a relação” porque implica abrir o jogo sobre atitudes do outro que me incomodam, ouvir a pessoa amada citar os meus defeitos, conversar sobre dificuldades de comunicação, explicar sentimentos e desejos que às vezes nem eu mesma entendo direito e tentar entender as razões do outro para ter agido desta ou daquela maneira.

Discutir a relação é chato, é cansativo e muitas vezes é um processo tenso que não se consegue completar em um só diálogo. Não raramente precisa-se parar para pensar sobre as questões discutidas e voltar aos assuntos quando a situação estiver menos tensa. Desgastante, sem dúvida.

Mas por quê não gosto das piadinhas estilo “mulheres gostam de discutir a relação, portanto são chatas e homens não precisam discutir relação alguma, pois fazem as pazes na cama”? Primeiro que, como já falei, mulher nenhuma ama discutir a relação. É claro que preferiríamos estar fazendo qualquer atividade mais divertida com nossos parceiros. Mas quando a tensão se instala e cada um vai, emburrado, para o seu canto o que fazer? Deixar como está para ver como fica? Às vezes funciona. Realmente, não dá para negar que muitas tensões entre casais são resolvidas com um “tempo ao tempo”. Um pouco de silêncio, uma avaliação mais fria dos acontecimentos, botar na balança os motivos pelos quais se está chateado e se vale à pena ficar assim ou se é preciso tomar uma atitude radical, tudo isso muitas vezes funciona. Mas e quando as pequenas falhas de comunicação vão se acumulando?

Quando ele não entendeu direito o que você quis dizer e sentiu-se ofendido, mas não falou nada e passou a agir diferente do normal com você e você nem sabe o motivo e acha que ele está diferente porque o amor está esfriando (a gente sempre pensa nas hipóteses mais dramáticas), aí você resolve provocá-lo para que ele sinta ciúme para saber se sua hipótese é real, então ele fica bravo, mas não fala nada pois ainda está chateado por aquele mal entendido lá de trás, mas por não falar nada ele acaba ficando ressentido e é grosso com você, aí você fica triste e pensa que se ele não demonstrou ciúme quando você o provocou e ainda por cima foi rude é porque deve ter outra mulher na jogada e você resolve ir para aquela super balada sozinha, só para ele ver o que é bom pra tosse?

E agora? Vai resolver isso como, se não for com uma boa conversa? É nessas horas (na verdade bem lá no começo da confusão) que a tão difamada “discussão de relação” é muito válida e muito útil. Numa situação dessas se você for deixando como está pra ver como fica vira tudo um caos! E é por isso que não gosto das piadinhas sobre “discutir a relação”. Porque elas dão a entender que um casal conversar sobre seus desejos, temores e expectativas quanto ao relacionamento é sempre ruim e chato. Chato pode até ser, mas mais chato é brigar com a pessoa que você gosta por motivos bobos.

Não somos experts em comunicação e às vezes entendemos errado o sentido do que nosso parceiro disse ou julgamos sua atitude de forma equivocada. Ou mesmo não entendemos determinadas atitudes. Muito do que sentimos é provocado por nossos medos e nossas inseguranças, daí para você achar que uma simples pergunta, como por exemplo, “amor, você não vai mais fazer drenagem linfática?” Significa, “você está uma bruxa horrível, cheia de celulite e não sinto mais um pingo de tesão por você” é um pulo!

E não são apenas as mulheres que têm essas encanações e acabam distorcendo o que seu companheiro fala. Os homens também têm suas inseguranças e ficam emburrados por diversos motivos. O problema é que na maioria das vezes sofrem calados e as mulheres não, o que acabou gerando o estigma de que mulher adora uma discussão sobre o relacionamento. Não, não é verdade. Não adoramos discutir o relacionamento. Mas adoramos estar bem com quem amamos. E se para isso for preciso uma boa conversa, conversaremos então. Afinal, somos seres que se comunicam. Temos o maravilhoso poder de articular nossos pensamentos com nossa linguagem. Então por que escolher ficar cada um no seu canto com um bico “deste tamanho”?

 

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