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Sempre Cinderelas.

No livro “Complexo de Cinderela”, a autora Colette Dowling, fala sobre como nós, mulheres, mesmo sendo criadas para trabalhar, ganhar nosso próprio sustento e não depender de homem algum, ainda temos gravado em nosso interior o mito do “Príncipe Encantado”.

Ela afirma, por experiência própria, que somos ainda contraditórias: enquanto buscamos sucesso profissional e direitos iguais, queremos também um homem protetor, o macho dominante, aquele que virá num lindo cavalo branco (hoje seria um belo carro), nos afastará dos problemas cotidianos e nos cobrirá de presentes.

Claro que seria ótimo unir as duas coisas, mas é quase impossível, já que normalmente o “super-protetor” é ciumento. Todo ciúme vem da insegurança, por isso ele não admitiria ter ao seu lado uma mulher dona do próprio nariz e que faça suas escolhas sem depender dele para tudo. Como a autora diz, “é impossível ficar sentado e andar ao mesmo tempo.”

Em “Complexo de Cinderela” há o depoimento de uma jovem, que ilustra bem a situação paradoxal em que muitas garotas jovens e modernas se encontram:

“Eu tinha um irmão mais velho que era perfeito. Em muitos aspectos eu me sentia feliz por crescer à sua sombra. Isso me proporcionava uma sensação de segurança.

Freqüentemente sinto-me inadequada por não ser casada nem ter filhos, apesar de saber que isso é considerado legal e moderno, especialmente aqui em São Francisco. Mas não foi assim que fui criada, e não é assim que quero ser. Nunca senti querer realmente ser independente.”

Então fui perguntar para algumas mulheres:

Será que ainda acreditamos no amor?

Será que as mulheres modernas e independentes continuam esperando um Príncipe Encantado?

Fui pesquisar isso com algumas amigas e descobri que as idealizações do “príncipe” não variam muito, mas teve gente que disse só acreditar no amor maternal ou fraternal, outras que até acreditam no amor, mas acham que ele está escondido em algum lugar inóspito e há também quem confie em Deus para garantir um relacionamento amoroso perfeito.

E assim seguimos, mesclando a mulher Nova-Cosmopolitan com a Cinderela! Tudo bem que muitas deixam para trás a calcinha de renda na casa dele e não o sapatinho de cristal na escadaria do palácio, mas esse é um pequeno detalhe. De qualquer forma, por mais seguras e independentes que sejamos, queremos no mínimo ser chamadas de “princesas”. Ser tratada como uma então... Não há quem resista!

 

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