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Loucas por sapatos
Por Ana Paula Araujo*
É possível explicar a ligação entre mulheres e sapatos? Eu tentarei explicar um pouco agora.
Desde que comecei a trabalhar numa loja de sapatos femininos, passei a olhar com outros olhos esse ‘romance’. Claro que eu já como amante incondicional desse ramo, passei a amar mais ainda. É algo que vai além da necessidade, do consumismo. É caso de amor mesmo.

Em média, 99% das mulheres se dizem ‘loucas por sapatos’. Provam até o modelo que é um ou dois números menor, só para suspirar ao ver nos seus pés aquela preciosidade. Muitas preferem (e eu sou uma delas) comprar sapatos do que roupas. Algumas começam a ver os sapatos antes do que a roupa, seja para ir numa balada ou em um casamento. Se você analisar pelo lado prático, com uma camisa branca e um bom jeans, você cria sete looks diferentes numa semana só trocando os sapatos.

Sejam scarpins, peep-toes, chanel, mules, rasteirinhas, salto fino, bico arredondado, cada uma tem a sua preferência. Existem as que compram somente por algum motivo em especial, seja alguma doença nos pés que não permite o uso de bico fino ou salto muito alto ou por necessitarem de sapatos super confortáveis (e nem sempre bonitos) para trabalhar ou caminhar. E coitadas, é explícito no seu olhar, o desgosto ao olhar os outros modelos em sua frente e ter que se contentar com um ‘salto baixo-bico quadrado-confortável’. Apesar dos ortopedistas recomendarem de 2 a 5 centímetros no salto, isso evidentemente, fica na teoria para muitas.



Mas devido aos excessos, cada vez mais mulheres com menos de 30 anos aparecem com algum problema nos pés. O mais comum é o joanete, que seria uma denominação popular de uma elevação (protuberância) que se forma no osso metatarsiano do primeiro dedo do pé. A incidência de joanete é 20 vezes maior nas mulheres por causa dos sapatos apertados, de salto e bico fino. Dói, incomoda, impede de usar bico fino. Mas tem solução? Sim. Porém muitas não sabem como. Cirurgia é uma delas, mas a maior solução é prevenção. Ele pode estar no gene, ou seja, dê uma pesquisada na família, veja se sua mãe, tia, prima, avó têm. Se tiver alguém com este problema, as chances de ter existem, mas se você não abusar de tiras finas, sapatos que machucam, saltos gigantescos, bicos que matariam uma formiga de tão finos, e sabendo comedir , os riscos diminuem. O bom seria se hoje você usou um tênis, amanhã use um salto 5, e no dia seguinte um sapato mais baixo. Alternar os modelos e tamanho dos saltos é uma medida de prevenção. Você já deve ter ouvido também, alguém comentando que de tanto estar acostumada a usar salto, ao colocar algo baixo, sente dor nas pernas, ou vice versa.

Agora se o seu caso se resolve só com cirurgia, saiba que só é indicada para mulheres acima de 28 anos, preferencialmente que já tenham ficado grávidas (o peso da barriga força a estrutura e o joanete pode voltar). A recuperação demora, sem saltos e muitas caminhadas por um mês.
Outro problema, pouco comum por enquanto, seria o Neuroma de Norton. As mulheres têm a impressão de andar em "cima de esferas" tendo uma dor persistente na planta do pé e é mais um engrossamento do tecido que rodeia o nervo que vai para os dedos dos pés.

Agora eis uma vilã dos nossos pés. A sapatilha.

Essa sim é a típica ‘lobo em pele de coelho’. Sei que você agora deve estar indignada se perguntando “mas como ela pode ser vilã se ela não tem salto?” Eis onde mora o perigo. Por serem rasteiras, elas não permitem uma completa curvatura do pé ao caminhar, não usando muito da musculatura, deixando o pé espalhado. Isso ao final do dia, deixa os pés doloridos, já que eles ficaram planos ao solo o dia todo e em uma só posição. Se for usar uma sapatilha, no dia seguinte, alterne com um salto de 3 ou 5 centímetros para mexer com a musculatura que no dia anterior pouco trabalhou. Não só dos pés, mas da panturrilha também. Antes de comprar sua sapatilha, prove com calma, veja se ela é feita de material resistente (mesmo se for de couro, ele não pode ser muito mole) e nunca pegue um número maior do que você usa, na intenção de ficar mais confortável depois. Ela cede e vai sair dos pés com muita facilidade ao caminhar. Procure uma que fique certinha nos seus pés. Sendo um modelo adequado aos seus pés, ela pode ser sua aliada.Lembrando que assim com o salto alto, não devemos abusar do seu uso.
Outro problema ao comprar um calçado é provar somente um pé. Descubra qual é seu pé maior (todas temos um maior que o outro) e prove sempre os dois. Caminhe, sente, caminhe de novo e preferencialmente, compre depois do meio dia. Por quê? Porque teoricamente depois desse horário você já caminhou, seus pés estão levemente inchados da circulação. Teoricamente porque tudo depende também do tempo, num dia frio, a musculatura fica mais contraída, ou seja, hoje você provou um sapato que ficou largo, amanhã o tempo esquenta e ele pode ser que sirva no seu pé.
Nunca compre um número menor na esperança que alargue. Lembrando que o couro laceia somente para a lateral (é para onde ele vai trabalhar, com a pressão dos seus pés). Se ele ficou apertado na frente ou atrás, tente ver outro número.

Já passou o mito que somente calçados de couro são bons. Hoje existem sintéticos mais resistentes que couro. Muitas vezes para atingir uma textura ou estampa, é necessário usar o sintético. Mas fique atenta para não ser enganada, vários locais podem vender sintéticos como se fosse couro.Tente identificar pelo cheiro, textura. O couro é facilmente identificável. Têm variadas espessuras, texturas, seja no couro de boi, touro, cabra.

Para cuidar do couro e camurça, existem diversos produtos no mercado. Mas seja qual for o material, tente não usar o mesmo calçado no dia seguinte, deixando (se for possível) 24 horas num local seco e ventilado, para que ele ‘respire’. Se você pegou chuva com uma bota de camurça, tente deixa-la secando na sombra e escovando levemente para que a mancha de água se espalhe e evite ficar uma linha marcando a mancha. Nunca encharque a peça de camurça, ela pode ficar com o aspecto de ‘cachorro molhado’. Lembre-se que a camurça, diferente do couro, não pode ser pintada, já o couro, pode ser pintado de qualquer cor.
Para quem nunca ouviu falar da Imelda, nosso melhor exemplo de amante por sapatos, vou contar um pouco.


Imelda Romualdez Marcos, fugiu de seu país com seu marido, o ditador Ferdinando, usando um par de chinelos azul. Diante do fato, foi a público sua paixão pelos sapatos, mostrando ao povo filipino, como tratava a si mesmo alguém que deixava o povo na miséria. Ela ficou conhecida pelos seus luxos infames, defendendo-se de uma acusação com o seguinte argumento ‘era mentira que eu tinha três mil pares de sapatos, só tenho 1060. ’
Ao retornar do seu exílio, se candidatou a presidência da república, declarando: ‘quer ganhe, quer perca, amanhã farei compras. ‘ E perdeu. Em 2001, foi criado um museu com suas relíquias. Podemos dizer que dentro de nós, há uma pequena Imelda. Até uma centopéia não teria tantas pernas para usar todos os sapatos da Imelda!
Se você quiser saber mais sobre a Imelda e outras curiosidades desse mundo que nos fascina, uma dica é o livro ‘Eu quero aquele sapato!’ de Paola Jacobbi.

Mini glossário dos calçados:

Pelica
É aquele couro bem molenga, macio, muito gostoso de ser usado. Mas devido sua espessura, é mais visto nas sandálias e botas. Scarpins e outros modelos são feitos de um couro mais resistente.
Camurça
Também é couro, só é menos trabalhada, para ficar ainda com aquele aspecto dos pelinhos aparentes.
Nobuck
É a camurça mais fina e lisa.
Scarpin
Sapato de bico e salto fino
Peep-toe
Parecido com o scarpin, podendo ter outros modelos de salto. É aberto na frente, aparecendo os primeiros dedos do pé.
Mule
Bico fino geralmente, com salto fino e aberto atrás, lembrando um tamanco.
Chanel
Quase uma mule, porém o que os diferencia seria uma tira segurando no pé que o modelo chanel tem.
Salto anabela
É um salto inteiriço, uma extensão da sola.
Salto plataforma
Quando a sola do calçado tem um salto inteiro, quase reto.




Tudo bem que um par de sapatos novos não cura um coração despedaçado nem uma dor de cabeça. Mas com certeza vai aliviar os sintomas.
Um grande beijo e até a próxima!
Fonte:
www.santalucia.com.br
www.forumdafamilia.com
-livro ‘ Eu quero aquele sapato!’de Paola Jaccobi
* Ana Paula é colunista do site
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Comentários
Valdete da Silva Nagamine
Obrigada, foi muito bom saber tudo isso. Tenho problema com esse tal "neuroma de norton", e muitas vezes parece ser só uma calosidade. Gostaria de saber mais sobre isso. Valdete
Aline
Amiga ameiii a matéria. Tudo de bom. Parabéns! E vc sabe né? Tbm sou louca por sapatos! rsrs
Alice
Ana!!! Quero saber mais de porque a sapatilha é uma vilã! :( Adorei viu !!! beijo
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