Deitando no divã para aprender a amar
Juliana Dacoregio*
Como saber quando estamos amando? O amor-romântico realmente existe? E, se existe, é eterno? E, se é eterno, é único? Ou temos a capacidade de amar de verdade várias pessoas, dependendo das circunstâncias e momentos de nossas vidas? Qual a mulher que nunca gastou seu tempo e seus neurônios “matutando” sobre essas questões?
Existe uma máxima que afirma: “o verdadeiro amor é eterno; se não era eterno, não era amor”. Já Vinícius de Morais afirmou em seu mais famoso poema que o amor deve ser infinito enquanto durar. Mas a verdade é que quando estamos completamente apaixonadas não queremos nem pensar na possibilidade de que nosso romance seja infinito só o tempo que durar! Queremos é que seja para sempre, se possível que ultrapasse até a barreira do “até que a morte os separe” e que possamos seguir pela eternidade sem fim ao lado do nosso escolhido.
Mas vivemos fantasiando que o amor deve ser tempestuoso e cinematográfico. Nada de rotina, nada de calmaria! Esquecemos o valor de estar em paz com alguém, de aprofundar um relacionamento, de ficar quietos lado a lado sem que isso seja um problema. Esquecemos ou nem sabemos o que é isso? Envelhecer ao lado de alguém parece bem pouco provável e até fora de moda nesse mundo cheio de opções e de medos generalizados. Na tela do cinema, vemos a protagonista fugir de um relacionamento promissor pelo simples medo de que não dê certo! Pessoas que não gostariam de ser infiéis traem por puro medo de serem traídas, regidas pelo pensamento infantil e desesperado de “vou fazer primeiro antes que façam comigo”. E aí, não é de se espantar que ninguém mais confie em ninguém! Queremos que o amor pegue fogo e arda em chamas gigantescas! Depois reclamamos quando saímos queimadas.
Relacionamento a dois não pode ser uma competição em que ninguém quer sair perdendo. Não queremos abrir mão de nada por um homem porque achamos que assim estaremos traindo o esforço que as feministas fizeram por nós. Acontece que viver é abrir mão. Fazer escolhas é abrir mão. Sempre estaremos diante de encruzilhadas em nossa vida e o ideal é encontrar um companheiro que nos ajude a escolher as melhores estradas. O negócio é equilíbrio e saber o que se quer de verdade. E dá-lhe terapia para descobrir tudo isso!
A verdade é que para viver um amor de verdade é preciso uma boa dose de maturidade. Não é simples, mas é muito bom descobrir a diferença entre amor e carência. Porque a carência nos leva a sucumbir a paixões avassaladoras que nos machucam e não nos satisfazem. Eu quero o amor de verdade, mesmo que para isso eu tenha que me deitar muitas e muitas vezes no divã do analista. Pois apesar de amar os poemas de Vinicius, não quero o “infinito enquanto dure”...
* Jornalista (apresentadora de TV - programa Conexão - canal 20)
judacoregio@hotmail.com
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